Primeira Poesia



Cada palavra dessa
Que nem cada tossida
Cada fio de cabelo
Que nem cada aveia no dente 
Cada ruído de silêncio
Que nem cada coisa mal feita
E passa passo 
Cada ônibus, estrada 
Patinete, czinha
Memória, precipitação
E controle, bebida
Nota, clave, melodia
Página 
Pele
Toalha
Amigos, amores, pessoa
Instrumento
Livro
Fotografia
Cada, por cada um 
Por nossos sentidos
Meus e os seus
Eu choro
Me protejo
Fujo e grito 
Chamo por minha avó
Mas obrigada
Não seria nada sem tudo que vivo por alguns segundos 
Não seria nada sem a morte petulante 
De todas as coisas
Sou o que sou por tudo que foi comigo 
Obrigada, deusa Morte!
Que leve consigo tudo o que fui 
Leve consigo toda ingratidão
Para o mágico entrar nas minhas portas
Permita a fuga de todas as coisas 
Para que sobre o divino do meio 
O divino da memória 
Obrigada, deusa Morte!
Minha amiga mais querida 
Que me permite viver. 

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